Estou às voltas com a palavra casamento. Mês passado duas pessoas famosas se casaram e tenho a sensação que o mundo está casando. E me pego pensando: "casar virou moda"?
A indústria do casamento fatura milhões por ano e no Brasil não param de pipocar feiras, workshops(sim, workshops) e livros sobre o tema. As revistas então são um caso a parte. Além de novas edições, as tradicionais estão com tiragem maior e com menos intervalo de tempo.
Algumas igrejas estão agendando casamento para daqui a dois anos. Fora as que cobram 3 ou 4mil Reais pela cerimônia(algumas sem a presença do padre) e que ainda assim são suuuuuper concorridas.
Será que as pessoas estão se casando por impulso ou por amor? Fui a uma cerimônia(linda por sinal) em que o padre falava sobre isso. Ele dizia que se um casal após um tempinho de união diz que o sentimento acabou é pq ele nunca existiu de verdade. Não é a toa que o número de divórcio também cresce assustadoramente.
Mais uma vez, mais um textinho. Um pouco maior do que o primeiro pq tive problemas para formatar.
Beijokas.
A DÚVIDA
E como ela poderia dizer que não? E será que ela poderia dizer alguma coisa? Tudo estava muito confuso.
Maria estava a dez dias de se casar com Miguel, mas não conseguia parar de pensar em Pablo.
- Se ao menos eu tivesse certeza... – pensava.
Pablo e Maria se conheceram numa festa de amigos em comum, mas não foram além de um papo descontraído. Ela não sabia explicar o motivo dessa atração toda, e além do mais, ele nem fazia seu tipo. Como assim ela o desejava?
- Ele vai me julgar, com certeza. Ele não tem cara de quem gosta de mulher infiel... E o Miguel?
Eu gosto muito dele, não posso terminar por isso.
O problema era que sempre que brigava com Miguel, a imagem de Pablo voltava à sua mente – se é que saía. Sentada no banco do carona do carro do noivo, Maria estava mergulhada em seus pensamentos, desligada do local e de sua companhia.
Fechava os olhos e suspirava. Lembrava do sorriso do Pablo, da conversa, e da despedida: - Se o pessoal não marcar mais nada, vamos marcar algum encontro. Gostei de te conhecer.
- Será que ele também quer? Ai meu Deus, o que eu faço?
Com uma desculpa esfarrapada, despachou Miguel para a casa dele. Não era certo deixá-lo ficar. Tomou um banho e dormiu, pensando no outro e pedindo para que isso acabasse pela manhã.
Acontece que a mente não precisa seguir a emoção, e o novo dia chegou com a vontade quase sufocante de encontrar Pablo. Decidida, ela pegou o telefone e ligou:
- Oi Julia. Me dá o telefone daquele seu colega, o Pablo. Ele não é corretor? Quem sabe ele não tem o apartamento que eu e Miguel queremos?
Pronto. Mentindo para a melhor amiga, e ainda por cima colocando o noivo no meio. Isso não poderia dar certo. Mas agora a decisão estava tomada. Precisava seguir em frente.
- Oi Pablo, aqui é Maria, nós nos conhecemos na festa da Julia, lembra? Olha, eu quero comprar um apartamento perto da praia, você pode me ajudar?
– Oi Maria, claro que lembro. Quantos quartos?
- Dois.
- Garagem?
- Aham.
- Tenho alguns aqui. Você pode vir amanhã?
- Amanhã não posso. Teria que ser hoje.
- Às três horas está bom para você?
- Três não. Quatro, pode ser. Estarei no posto 3.
- Tudo bem. Te vejo lá.
Desligou o telefone trêmula. O coração disparado parecia que ia saltar do peito. Era muito arriscado, ele estava pensando que ia vender um apartamento. E ela estava maluca, e só iria sossegar quando o encontrasse. Assim, não fez mais nada além de imaginar o que iria fazer quando o visse.
Eram três e meia quando Maria chegou à praia. Para tentar se acalmar sentou na areia e ficou observando o vai-e-vem das ondas, que fizeram o efeito contrário e a deixaram mais nervosa. Ela suava frio, as mãos pareciam feitas de gelo e o estômago doía.
- Será que ele vai ficar assustado?
Antes de completar a frase, ela o avistou. Lindo. Perfeito. Do jeito que ela havia guardado na memória.
- Pensei que estaria num quiosque, quase não te achei.
Ela levanta e olha pra ele:
- Desculpe, mas por favor, não me leve a mal. Eu tenho que fazer isso.
- Ficar olhando para o mar ou comprar um apartamento? – ele perguntou rindo.
Ela então o beijou. E ele gostou. Segundos mágicos. Ao abriu os olhos, sorriu:
- Te assustei muito?
- Nem tanto- e a beijou de novo.
Agora, como que a chamando para a realidade, a imagem de Miguel voltou à cabeça. Angustiada, despediu-se e preferiu não ligar mais. Aquilo estava errado, na semana seguinte ela estaria se casando.
Dois dias depois ele ligou:
- Maria, eu quero muito te ver.
- Não dá. Desculpa.
- Você é maluca? Me liga do nada, me beija e agora não quer mais nada?
- Pablo, eu vou casar.
- Eu vi a aliança... Quando?
- Semana que vem. Por isso pedi para você não me levar a mal, é que eu precisava ficar contigo.
- E eu sou um objeto?
- Você está exagerando... e eu só fiz isso por que vi que você não tomou iniciativa.
- Não fico com mulher comprometida.
- Foi isso que pensei.
- Mas eu quero te ver de novo. Vamos sair.
- Ai meu Deus. Passa aqui em casa então.
- Eu chego em meia hora.
E assim, eles se encontraram nos quatro dias seguintes. As horas naqueles momentos paravam, e a palavra casamento, é claro, não fazia parte da conversa.
No último dia ela se despediu:
- Eu não posso voltar atrás. Não posso deixar meu noivo. Por favor, não me leve a mal.
- Nunca. Pode ficar tranqüila. Será ruim me acostumar a ficar sem você, mas eu já sabia disso desde o início.
- Você supera. Daqui a pouco já está com outra – disse com uma piscada e um último beijo.
E se despediu. E casou com Miguel numa cerimônia linda, cercada de amigos e parentes, do jeito que havia planejado.
À caminho da lua de mel, Miguel a agarrou e a beijou com vontade. Foi então que ela percebeu:
- Eu nunca tremi com o Miguel.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
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