Hoje eu estava pensando nas notícias dos últimos dias, e principalmente na decisão do STF sobre o diploma no curso de jornalismo. Eu gosto de pensar em personagens comuns, com suas imperfeições para escrever minhas estórias, e usá-los com um pouco de sarcasmo. O problema é que tenho um monte de histórias não terminadas por que embora meus personagens não sejam mocinhos elegantes de contos de fadas, eu busco sempre o melhor das pessoas, procuro o lado bom, mas também dar um final feliz às vezes não parece tão justo... e a vida real também não é assim.
Enfim, hoje me peguei com um peso na consciência. Poxa, será que essa podridão não tem fim? Eu sei que seres humanos são seres humanos, e que erram, mas as coisas estão muito erradas.
Não só pelo fim da exigência do diploma(eu não peguei o meu ainda por questões burocráticas da universidade) que tanto ajuda na formação do indivíduo, mas por ver pessoas que acreditei, que torci, que rezei apoiarem pessoas que só não estão mais sujas por que o enxofre do inferno não é real.
Tenho visto uma degradação moral ridícula no Brasil. Sei que sempre existiu, mas só agora presto realmente atenção, e tenho senso para isso. Muitos falam em rasgar o diploma, mas ele me ajudou a ver as coisas por outro ângulo, a ver o que pode estar escondido.
É Brasil, estou ficando sem esperanças... o negócio já não estava muito bom, e pelo visto vai piorar...
Quanto as jornalistas, que importa? Se o cozinheiro não precisa de diploma, por que ele precisaria?
quinta-feira, 18 de junho de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Pegadas na areia
Essa historinha acabou de nascer na cabeça. Escrevi e revisei uma vez só. Vou postar logo antes que resolva mudar tudo e ela fique no canto das histórias não terminadas...
Maria esperava ansiosamente sua vida começar. A todo o momento ela se perguntava:
- Quando é que minha vida vai realmente começar?
Enquanto esperava esse início, Maria se casou com Honório, e teve uma filha, Luiza. Quando Luiza entrou para a escola, com mais ou menos um ano e meio de idade, Maria não queria mais Honório. Afinal, ele era muito parado, e não ajudaria no “começo” de sua vida.
Ao se separar do marido, com quem ficou casada por 10 anos, Maria queria tudo diferente: casa, emprego, e um homem novo. Alugou uma casa menor, pois não teria tempo e nem dinheiro para limpá-la, e transferiu sua filha para uma escola pública.
Conseguiu um emprego como vendedora numa loja de luxo. Os problemas, que deveriam terminar, continuaram: Maria estava endividada, pois gastava a maior parte de seu salário com as roupas caríssimas que vendia. Se a vida dela não começava, pelo menos ela iria se vestir bem. Vez ou outra ia a uma loja popular para comprar roupas para a filha. Quem garantia mesmo a vestimenta de Luiz era o pai da criança. Era dever dele, e Maria estava sempre sem dinheiro.
Um dia, ao participar de um curso de vendas, Maria conheceu o gerente da filial de outro estado. Foi uma paixão súbita: acabaram na cama do hotel na primeira noite e não se desgrudaram mais. Essa só poderia ser a chance de ouro da sua vida. Ela já tinha um emprego, mas faltava dinheiro e amor. Sérgio era maravilhoso e um amante como nenhum outro. O sexo era o melhor do relacionamento e ela não poupava esforços para melhorá-lo. Valia dos provadores da loja até o estacionamento do shopping onde trabalhava. Os seguranças adoravam.
Quando Sérgio voltou para seu estado, Maria deixou a filha com o pai e foi junto. Essa era sua oportunidade de casar novamente, e ela iria agarrá-la com toda a força. O problema era que quatro anos se passaram e Sérgio ainda não queria morar com ninguém, o que deixou Maria insegura e irritada. Um dia viu uma cliente cantando o amante, brigou com a mulher e foi demitida. Sérgio a ajudou financeiramente durante um tempo, mas seu temperamento difícil fez com que ele chegasse com uma bomba surpresa: uma passagem só de ida para sua terra Natal.
Ao voltar para sua cidade, Maria correu para chorar sua desafortunada vida com uma amiga, que lhe arranjou um emprego como vendedora em outra loja de luxo. Mas de que adiantava trabalhar se nunca tinha dinheiro? Tinha roupas e sapatos de marca, mas não tinha dinheiro para buscar a filha nos finais de semana, ou comprar um presente de aniversário. Se bem que com certeza sua filha iria entender quando crescesse. Afinal, quando conseguisse tudo o que desejava, ela iria pegar Luiza de volta.
Deus, então, finalmente atendeu as suas preces: enviou um namorado bonito e bem de vida. Viúvo, sem filhos, e funcionário público federal, José Carlos era um homem perfeito. Em poucos meses estavam morando juntos. Embora tivesse conquistado o emprego e o homem, a vida ainda não estava boa para Maria, que queria mais um filho.
Depois de dois meses tentando engravidar, com onze meses dividindo o mesmo teto, pensou que a culpa talvez fosse de Carlos. Talvez ele não fosse tão bom assim, pois não conseguia lhe dar um filho. No fundo, no fundo, ele não queria que ela engravidasse, então, vibrava contra. Por isso ela não engravidou. Foi ai, então, que ela desolada por não ter filho e sucesso amoroso, conheceu Maurício.
Maurício era bonito, o que José Carlos nem de perto era. Tinha um corpo atlético, diferente do ex companheiro. Foi outro encontro explosivo: o sexo era agressivo, sujo e durava o dia todo. Bastava vê-lo, para que não se agüentasse de tesão. Quando José Carlos descobriu a traição, Maria já estava com Maurício há dois meses. Ela mesma contou, disse que não gostava de ter vida dupla, e que preferia ir embora.
No seu aniversário de 40 anos, Maria descobriu que estava grávida de Maurício. Mas neste momento a notícia não soou tão bem. Ela havia saído da loja de luxo e ido para uma simples, numa rua de um bairro no subúrbio, para ficar mais perto do marido.
Ganhava pouco e ele menos ainda. Moravam num conjugado onde o aluguel estava atrasado, e ela só não estava sem luz por que fez uma ligação clandestina. Não via a filha há quase um ano, por que o ex-marido conseguiu injustamente a guarda definitiva,
e os encontros com Luiza eram sempre estressantes. Não tinha feito nada a filha, e mesmo assim esta não gostava de ficar com ela.
Sentada na porta de sua casa, com o resultado do exame em mãos, se perguntava indignada:
- Quando é que essa droga desta vida irá começar?
E pensava em Victor, um amigo de uma amiga que acabara de conhecer. Ele talvez fosse fazer sua vida engrenar.
Maria esperava ansiosamente sua vida começar. A todo o momento ela se perguntava:
- Quando é que minha vida vai realmente começar?
Enquanto esperava esse início, Maria se casou com Honório, e teve uma filha, Luiza. Quando Luiza entrou para a escola, com mais ou menos um ano e meio de idade, Maria não queria mais Honório. Afinal, ele era muito parado, e não ajudaria no “começo” de sua vida.
Ao se separar do marido, com quem ficou casada por 10 anos, Maria queria tudo diferente: casa, emprego, e um homem novo. Alugou uma casa menor, pois não teria tempo e nem dinheiro para limpá-la, e transferiu sua filha para uma escola pública.
Conseguiu um emprego como vendedora numa loja de luxo. Os problemas, que deveriam terminar, continuaram: Maria estava endividada, pois gastava a maior parte de seu salário com as roupas caríssimas que vendia. Se a vida dela não começava, pelo menos ela iria se vestir bem. Vez ou outra ia a uma loja popular para comprar roupas para a filha. Quem garantia mesmo a vestimenta de Luiz era o pai da criança. Era dever dele, e Maria estava sempre sem dinheiro.
Um dia, ao participar de um curso de vendas, Maria conheceu o gerente da filial de outro estado. Foi uma paixão súbita: acabaram na cama do hotel na primeira noite e não se desgrudaram mais. Essa só poderia ser a chance de ouro da sua vida. Ela já tinha um emprego, mas faltava dinheiro e amor. Sérgio era maravilhoso e um amante como nenhum outro. O sexo era o melhor do relacionamento e ela não poupava esforços para melhorá-lo. Valia dos provadores da loja até o estacionamento do shopping onde trabalhava. Os seguranças adoravam.
Quando Sérgio voltou para seu estado, Maria deixou a filha com o pai e foi junto. Essa era sua oportunidade de casar novamente, e ela iria agarrá-la com toda a força. O problema era que quatro anos se passaram e Sérgio ainda não queria morar com ninguém, o que deixou Maria insegura e irritada. Um dia viu uma cliente cantando o amante, brigou com a mulher e foi demitida. Sérgio a ajudou financeiramente durante um tempo, mas seu temperamento difícil fez com que ele chegasse com uma bomba surpresa: uma passagem só de ida para sua terra Natal.
Ao voltar para sua cidade, Maria correu para chorar sua desafortunada vida com uma amiga, que lhe arranjou um emprego como vendedora em outra loja de luxo. Mas de que adiantava trabalhar se nunca tinha dinheiro? Tinha roupas e sapatos de marca, mas não tinha dinheiro para buscar a filha nos finais de semana, ou comprar um presente de aniversário. Se bem que com certeza sua filha iria entender quando crescesse. Afinal, quando conseguisse tudo o que desejava, ela iria pegar Luiza de volta.
Deus, então, finalmente atendeu as suas preces: enviou um namorado bonito e bem de vida. Viúvo, sem filhos, e funcionário público federal, José Carlos era um homem perfeito. Em poucos meses estavam morando juntos. Embora tivesse conquistado o emprego e o homem, a vida ainda não estava boa para Maria, que queria mais um filho.
Depois de dois meses tentando engravidar, com onze meses dividindo o mesmo teto, pensou que a culpa talvez fosse de Carlos. Talvez ele não fosse tão bom assim, pois não conseguia lhe dar um filho. No fundo, no fundo, ele não queria que ela engravidasse, então, vibrava contra. Por isso ela não engravidou. Foi ai, então, que ela desolada por não ter filho e sucesso amoroso, conheceu Maurício.
Maurício era bonito, o que José Carlos nem de perto era. Tinha um corpo atlético, diferente do ex companheiro. Foi outro encontro explosivo: o sexo era agressivo, sujo e durava o dia todo. Bastava vê-lo, para que não se agüentasse de tesão. Quando José Carlos descobriu a traição, Maria já estava com Maurício há dois meses. Ela mesma contou, disse que não gostava de ter vida dupla, e que preferia ir embora.
No seu aniversário de 40 anos, Maria descobriu que estava grávida de Maurício. Mas neste momento a notícia não soou tão bem. Ela havia saído da loja de luxo e ido para uma simples, numa rua de um bairro no subúrbio, para ficar mais perto do marido.
Ganhava pouco e ele menos ainda. Moravam num conjugado onde o aluguel estava atrasado, e ela só não estava sem luz por que fez uma ligação clandestina. Não via a filha há quase um ano, por que o ex-marido conseguiu injustamente a guarda definitiva,
e os encontros com Luiza eram sempre estressantes. Não tinha feito nada a filha, e mesmo assim esta não gostava de ficar com ela.
Sentada na porta de sua casa, com o resultado do exame em mãos, se perguntava indignada:
- Quando é que essa droga desta vida irá começar?
E pensava em Victor, um amigo de uma amiga que acabara de conhecer. Ele talvez fosse fazer sua vida engrenar.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Eu voltei!!!!
Acabei de assistir ao filme “Bernard e Doris” que conta a relação entre uma famosa bilionária norte-americana(Doris Duke) e seu mordomo(Bernard Lafferty). A história é velha conhecida: ela cria um vínculo com o mordomo e quando morre o deixa bilionário – ele é seu único herdeiro.
Gostei da história e resolvi fazer uma busca no Google. Não foi minha surpresa e aquele romance de “amigos para sempre” caiu em desgraça(estou dramática hoje). Enfim, nas linhas descobri que algumas pessoas próximas realmente achavam que Bernard, o mordomo, exercia uma espécie de poder sobre a patroa, que o seguia cegamente, algo como “lavagem cerebral”. Ele a afastou dos conhecidos, alegando inclusive que alguns estariam tramando um complô contra ela.
Na verdade nós, mortais, que não tivemos o privilégio de conviver com eles, nunca saberemos o que realmente aconteceu. Eu prefiro acreditar no melhor das pessoas e na visão linda e clássica do mordomo que realmente amou a patroa(amar no sentido mais puro, pois ele era gay).
E observando as relações vejo que na vida real acontece a mesma coisa: aquela pessoa que vive ao seu lado há anos pode te surpreender. Não dá para ter 100% de certeza se alguém está com você por que gosta mesmo de você, ou se por que de alguma forma é legal estar do seu lado.
Isso pode parecer frustrante, mas ao mesmo tempo não é. Vamos lá: dois velhinhos estão juntos desde 1920 por que o que os une neste momento é o medo da solidão. O amor acabou há tempos, a paixão nem se fala. Ele fica com ela para ter alguém que o trate com carinho(ou paciência). Ela fica com ele para não perder a estabilidade financeira. Os dois se divertiram na juventude e na fase adulta, inclusive pulando a cerca. Se voltassem no tempo provavelmente teriam se separado ou não teriam ficado juntos, pois fariam escolhas diferentes. Infelizes? Não. Conformados e confiantes. Será? É o que parece...
Se as relações são verdadeiras ou não é difícil dizer, e às vezes nem o tempo se encarrega disso. Por isso o bom é deixar viver e se cercar daqueles que são parecidos ou tem algo em comum... se você for víbora... tenha certeza que cedo ou tarde levará uma picada. Semelhante atrai semelhante, confiança chama confiança e por ai vai. Só não dá pra desanimar.
É isso. Hoje, na volta dos que não foram, não tem historinha. Se bem que a última vem bem a calhar. Você, meu único leitor, não me deixe. Prometo que cheguei para ficar, afinal, nossa relação é verdadeira(será, leitor?).
Beijinhos!
Gostei da história e resolvi fazer uma busca no Google. Não foi minha surpresa e aquele romance de “amigos para sempre” caiu em desgraça(estou dramática hoje). Enfim, nas linhas descobri que algumas pessoas próximas realmente achavam que Bernard, o mordomo, exercia uma espécie de poder sobre a patroa, que o seguia cegamente, algo como “lavagem cerebral”. Ele a afastou dos conhecidos, alegando inclusive que alguns estariam tramando um complô contra ela.
Na verdade nós, mortais, que não tivemos o privilégio de conviver com eles, nunca saberemos o que realmente aconteceu. Eu prefiro acreditar no melhor das pessoas e na visão linda e clássica do mordomo que realmente amou a patroa(amar no sentido mais puro, pois ele era gay).
E observando as relações vejo que na vida real acontece a mesma coisa: aquela pessoa que vive ao seu lado há anos pode te surpreender. Não dá para ter 100% de certeza se alguém está com você por que gosta mesmo de você, ou se por que de alguma forma é legal estar do seu lado.
Isso pode parecer frustrante, mas ao mesmo tempo não é. Vamos lá: dois velhinhos estão juntos desde 1920 por que o que os une neste momento é o medo da solidão. O amor acabou há tempos, a paixão nem se fala. Ele fica com ela para ter alguém que o trate com carinho(ou paciência). Ela fica com ele para não perder a estabilidade financeira. Os dois se divertiram na juventude e na fase adulta, inclusive pulando a cerca. Se voltassem no tempo provavelmente teriam se separado ou não teriam ficado juntos, pois fariam escolhas diferentes. Infelizes? Não. Conformados e confiantes. Será? É o que parece...
Se as relações são verdadeiras ou não é difícil dizer, e às vezes nem o tempo se encarrega disso. Por isso o bom é deixar viver e se cercar daqueles que são parecidos ou tem algo em comum... se você for víbora... tenha certeza que cedo ou tarde levará uma picada. Semelhante atrai semelhante, confiança chama confiança e por ai vai. Só não dá pra desanimar.
É isso. Hoje, na volta dos que não foram, não tem historinha. Se bem que a última vem bem a calhar. Você, meu único leitor, não me deixe. Prometo que cheguei para ficar, afinal, nossa relação é verdadeira(será, leitor?).
Beijinhos!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Casamento
Estou às voltas com a palavra casamento. Mês passado duas pessoas famosas se casaram e tenho a sensação que o mundo está casando. E me pego pensando: "casar virou moda"?
A indústria do casamento fatura milhões por ano e no Brasil não param de pipocar feiras, workshops(sim, workshops) e livros sobre o tema. As revistas então são um caso a parte. Além de novas edições, as tradicionais estão com tiragem maior e com menos intervalo de tempo.
Algumas igrejas estão agendando casamento para daqui a dois anos. Fora as que cobram 3 ou 4mil Reais pela cerimônia(algumas sem a presença do padre) e que ainda assim são suuuuuper concorridas.
Será que as pessoas estão se casando por impulso ou por amor? Fui a uma cerimônia(linda por sinal) em que o padre falava sobre isso. Ele dizia que se um casal após um tempinho de união diz que o sentimento acabou é pq ele nunca existiu de verdade. Não é a toa que o número de divórcio também cresce assustadoramente.
Mais uma vez, mais um textinho. Um pouco maior do que o primeiro pq tive problemas para formatar.
Beijokas.
A DÚVIDA
E como ela poderia dizer que não? E será que ela poderia dizer alguma coisa? Tudo estava muito confuso.
Maria estava a dez dias de se casar com Miguel, mas não conseguia parar de pensar em Pablo.
- Se ao menos eu tivesse certeza... – pensava.
Pablo e Maria se conheceram numa festa de amigos em comum, mas não foram além de um papo descontraído. Ela não sabia explicar o motivo dessa atração toda, e além do mais, ele nem fazia seu tipo. Como assim ela o desejava?
- Ele vai me julgar, com certeza. Ele não tem cara de quem gosta de mulher infiel... E o Miguel?
Eu gosto muito dele, não posso terminar por isso.
O problema era que sempre que brigava com Miguel, a imagem de Pablo voltava à sua mente – se é que saía. Sentada no banco do carona do carro do noivo, Maria estava mergulhada em seus pensamentos, desligada do local e de sua companhia.
Fechava os olhos e suspirava. Lembrava do sorriso do Pablo, da conversa, e da despedida: - Se o pessoal não marcar mais nada, vamos marcar algum encontro. Gostei de te conhecer.
- Será que ele também quer? Ai meu Deus, o que eu faço?
Com uma desculpa esfarrapada, despachou Miguel para a casa dele. Não era certo deixá-lo ficar. Tomou um banho e dormiu, pensando no outro e pedindo para que isso acabasse pela manhã.
Acontece que a mente não precisa seguir a emoção, e o novo dia chegou com a vontade quase sufocante de encontrar Pablo. Decidida, ela pegou o telefone e ligou:
- Oi Julia. Me dá o telefone daquele seu colega, o Pablo. Ele não é corretor? Quem sabe ele não tem o apartamento que eu e Miguel queremos?
Pronto. Mentindo para a melhor amiga, e ainda por cima colocando o noivo no meio. Isso não poderia dar certo. Mas agora a decisão estava tomada. Precisava seguir em frente.
- Oi Pablo, aqui é Maria, nós nos conhecemos na festa da Julia, lembra? Olha, eu quero comprar um apartamento perto da praia, você pode me ajudar?
– Oi Maria, claro que lembro. Quantos quartos?
- Dois.
- Garagem?
- Aham.
- Tenho alguns aqui. Você pode vir amanhã?
- Amanhã não posso. Teria que ser hoje.
- Às três horas está bom para você?
- Três não. Quatro, pode ser. Estarei no posto 3.
- Tudo bem. Te vejo lá.
Desligou o telefone trêmula. O coração disparado parecia que ia saltar do peito. Era muito arriscado, ele estava pensando que ia vender um apartamento. E ela estava maluca, e só iria sossegar quando o encontrasse. Assim, não fez mais nada além de imaginar o que iria fazer quando o visse.
Eram três e meia quando Maria chegou à praia. Para tentar se acalmar sentou na areia e ficou observando o vai-e-vem das ondas, que fizeram o efeito contrário e a deixaram mais nervosa. Ela suava frio, as mãos pareciam feitas de gelo e o estômago doía.
- Será que ele vai ficar assustado?
Antes de completar a frase, ela o avistou. Lindo. Perfeito. Do jeito que ela havia guardado na memória.
- Pensei que estaria num quiosque, quase não te achei.
Ela levanta e olha pra ele:
- Desculpe, mas por favor, não me leve a mal. Eu tenho que fazer isso.
- Ficar olhando para o mar ou comprar um apartamento? – ele perguntou rindo.
Ela então o beijou. E ele gostou. Segundos mágicos. Ao abriu os olhos, sorriu:
- Te assustei muito?
- Nem tanto- e a beijou de novo.
Agora, como que a chamando para a realidade, a imagem de Miguel voltou à cabeça. Angustiada, despediu-se e preferiu não ligar mais. Aquilo estava errado, na semana seguinte ela estaria se casando.
Dois dias depois ele ligou:
- Maria, eu quero muito te ver.
- Não dá. Desculpa.
- Você é maluca? Me liga do nada, me beija e agora não quer mais nada?
- Pablo, eu vou casar.
- Eu vi a aliança... Quando?
- Semana que vem. Por isso pedi para você não me levar a mal, é que eu precisava ficar contigo.
- E eu sou um objeto?
- Você está exagerando... e eu só fiz isso por que vi que você não tomou iniciativa.
- Não fico com mulher comprometida.
- Foi isso que pensei.
- Mas eu quero te ver de novo. Vamos sair.
- Ai meu Deus. Passa aqui em casa então.
- Eu chego em meia hora.
E assim, eles se encontraram nos quatro dias seguintes. As horas naqueles momentos paravam, e a palavra casamento, é claro, não fazia parte da conversa.
No último dia ela se despediu:
- Eu não posso voltar atrás. Não posso deixar meu noivo. Por favor, não me leve a mal.
- Nunca. Pode ficar tranqüila. Será ruim me acostumar a ficar sem você, mas eu já sabia disso desde o início.
- Você supera. Daqui a pouco já está com outra – disse com uma piscada e um último beijo.
E se despediu. E casou com Miguel numa cerimônia linda, cercada de amigos e parentes, do jeito que havia planejado.
À caminho da lua de mel, Miguel a agarrou e a beijou com vontade. Foi então que ela percebeu:
- Eu nunca tremi com o Miguel.
A indústria do casamento fatura milhões por ano e no Brasil não param de pipocar feiras, workshops(sim, workshops) e livros sobre o tema. As revistas então são um caso a parte. Além de novas edições, as tradicionais estão com tiragem maior e com menos intervalo de tempo.
Algumas igrejas estão agendando casamento para daqui a dois anos. Fora as que cobram 3 ou 4mil Reais pela cerimônia(algumas sem a presença do padre) e que ainda assim são suuuuuper concorridas.
Será que as pessoas estão se casando por impulso ou por amor? Fui a uma cerimônia(linda por sinal) em que o padre falava sobre isso. Ele dizia que se um casal após um tempinho de união diz que o sentimento acabou é pq ele nunca existiu de verdade. Não é a toa que o número de divórcio também cresce assustadoramente.
Mais uma vez, mais um textinho. Um pouco maior do que o primeiro pq tive problemas para formatar.
Beijokas.
A DÚVIDA
E como ela poderia dizer que não? E será que ela poderia dizer alguma coisa? Tudo estava muito confuso.
Maria estava a dez dias de se casar com Miguel, mas não conseguia parar de pensar em Pablo.
- Se ao menos eu tivesse certeza... – pensava.
Pablo e Maria se conheceram numa festa de amigos em comum, mas não foram além de um papo descontraído. Ela não sabia explicar o motivo dessa atração toda, e além do mais, ele nem fazia seu tipo. Como assim ela o desejava?
- Ele vai me julgar, com certeza. Ele não tem cara de quem gosta de mulher infiel... E o Miguel?
Eu gosto muito dele, não posso terminar por isso.
O problema era que sempre que brigava com Miguel, a imagem de Pablo voltava à sua mente – se é que saía. Sentada no banco do carona do carro do noivo, Maria estava mergulhada em seus pensamentos, desligada do local e de sua companhia.
Fechava os olhos e suspirava. Lembrava do sorriso do Pablo, da conversa, e da despedida: - Se o pessoal não marcar mais nada, vamos marcar algum encontro. Gostei de te conhecer.
- Será que ele também quer? Ai meu Deus, o que eu faço?
Com uma desculpa esfarrapada, despachou Miguel para a casa dele. Não era certo deixá-lo ficar. Tomou um banho e dormiu, pensando no outro e pedindo para que isso acabasse pela manhã.
Acontece que a mente não precisa seguir a emoção, e o novo dia chegou com a vontade quase sufocante de encontrar Pablo. Decidida, ela pegou o telefone e ligou:
- Oi Julia. Me dá o telefone daquele seu colega, o Pablo. Ele não é corretor? Quem sabe ele não tem o apartamento que eu e Miguel queremos?
Pronto. Mentindo para a melhor amiga, e ainda por cima colocando o noivo no meio. Isso não poderia dar certo. Mas agora a decisão estava tomada. Precisava seguir em frente.
- Oi Pablo, aqui é Maria, nós nos conhecemos na festa da Julia, lembra? Olha, eu quero comprar um apartamento perto da praia, você pode me ajudar?
– Oi Maria, claro que lembro. Quantos quartos?
- Dois.
- Garagem?
- Aham.
- Tenho alguns aqui. Você pode vir amanhã?
- Amanhã não posso. Teria que ser hoje.
- Às três horas está bom para você?
- Três não. Quatro, pode ser. Estarei no posto 3.
- Tudo bem. Te vejo lá.
Desligou o telefone trêmula. O coração disparado parecia que ia saltar do peito. Era muito arriscado, ele estava pensando que ia vender um apartamento. E ela estava maluca, e só iria sossegar quando o encontrasse. Assim, não fez mais nada além de imaginar o que iria fazer quando o visse.
Eram três e meia quando Maria chegou à praia. Para tentar se acalmar sentou na areia e ficou observando o vai-e-vem das ondas, que fizeram o efeito contrário e a deixaram mais nervosa. Ela suava frio, as mãos pareciam feitas de gelo e o estômago doía.
- Será que ele vai ficar assustado?
Antes de completar a frase, ela o avistou. Lindo. Perfeito. Do jeito que ela havia guardado na memória.
- Pensei que estaria num quiosque, quase não te achei.
Ela levanta e olha pra ele:
- Desculpe, mas por favor, não me leve a mal. Eu tenho que fazer isso.
- Ficar olhando para o mar ou comprar um apartamento? – ele perguntou rindo.
Ela então o beijou. E ele gostou. Segundos mágicos. Ao abriu os olhos, sorriu:
- Te assustei muito?
- Nem tanto- e a beijou de novo.
Agora, como que a chamando para a realidade, a imagem de Miguel voltou à cabeça. Angustiada, despediu-se e preferiu não ligar mais. Aquilo estava errado, na semana seguinte ela estaria se casando.
Dois dias depois ele ligou:
- Maria, eu quero muito te ver.
- Não dá. Desculpa.
- Você é maluca? Me liga do nada, me beija e agora não quer mais nada?
- Pablo, eu vou casar.
- Eu vi a aliança... Quando?
- Semana que vem. Por isso pedi para você não me levar a mal, é que eu precisava ficar contigo.
- E eu sou um objeto?
- Você está exagerando... e eu só fiz isso por que vi que você não tomou iniciativa.
- Não fico com mulher comprometida.
- Foi isso que pensei.
- Mas eu quero te ver de novo. Vamos sair.
- Ai meu Deus. Passa aqui em casa então.
- Eu chego em meia hora.
E assim, eles se encontraram nos quatro dias seguintes. As horas naqueles momentos paravam, e a palavra casamento, é claro, não fazia parte da conversa.
No último dia ela se despediu:
- Eu não posso voltar atrás. Não posso deixar meu noivo. Por favor, não me leve a mal.
- Nunca. Pode ficar tranqüila. Será ruim me acostumar a ficar sem você, mas eu já sabia disso desde o início.
- Você supera. Daqui a pouco já está com outra – disse com uma piscada e um último beijo.
E se despediu. E casou com Miguel numa cerimônia linda, cercada de amigos e parentes, do jeito que havia planejado.
À caminho da lua de mel, Miguel a agarrou e a beijou com vontade. Foi então que ela percebeu:
- Eu nunca tremi com o Miguel.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Somos assassinos em potencial?
Na revista Marie Claire de setembro eu li uma entrevista com a pesquisadora e autora Ilana Casoy, que se especializou em assassinatos em série e ajudou, inclusive, no caso Nardoni e Richthofen. Na entrevista ela fala que os assassinos não são muito diferente de nós, pessoas "normais". E me pego pensando se não somos mesmo...
Com isso acabei me lembrando de uma historinha que escrevi enquanto os meninos jogavam sueca lá no sítio e eu não tinha o que fazer...
Purificação
Alto, sem quilos sobrando, Rômulo não aparentava ter 50 anos. A maioria das pessoas que o conhecia o considerava um homem bom e de bem com a vida. Ele estava sempre disposto a ajudar, nunca se queixava da vida, estava costumava ter um sorriso no rosto.
Um belo dia, Rômulo acordou, tomou seu café extra-forte e saiu de casa disposto a viver algo diferente. Estava cansado daquela vida sem grandes acontecimentos, apenas escutando e ajudando a resolver problemas alheios, quando na verdade não conseguia resolver o seu. É, Rômulo tinha um problema. Na verdade ele não tinha certeza se era realmente um problema. Seu lado moral, sua “consciência” dizia que sim, mas seu corpo... ah, seu corpo dizia que não era problema algum. Pelo contrário, deliciava-se de prazer.
Enfim, com a intenção de resolver seu caso, Rômulo saiu de casa, uma moradia confortável num bairro residencial. Pegou seu carro, e dirigiu cerca de uma hora até chegar a uma rua deserta, que parecia ter parado no tempo. Deu um sorriso amargo ao ver um casebre simples de madeira.
A mulher ao vê-lo, sorriu. Ela estava esperando ansiosamente por ele.
- Meu amor, que saudade. Pensei que havia se esquecido de mim.
- Nunca me esqueço de você, minha rainha.
O interior da casa era totalmente diferente do exterior. Objetos nada convencionais decoravam o lugar: desenhos de corpos nus, em posições pornográficas adornavam as paredes. Velas e lampiões faziam as vezes de lâmpadas. Uma grande cama ficava no centro do único cômodo.
Ao trancar a porta, ele a agarrou pelos cabelos e deu dois tapas na sua cara. Ela não reagiu. Sorriu. Ele a jogou na cama e a beijou violentamente. Ela mordeu seu lábio e o sangue brotou.
Ele a algemou na cama e pegou o chicote. Em seguida, começou a batê-la.
- Mais força – ela pedia – Mais!
Enquanto ele batia sua mente lhe dizia que aquilo estava errado, masoquismo não era certo, ele ia para o inferno.
E se desesperava, e batia com mais força.
- Para! Está machucando!
Ele não a escutava mais. Ele iria para o inferno! Aquilo estava errado, ele precisava parar com aquilo.
- Rômulo! Olha o código, pára pelo amor de Deus! Eu estou sangrando! – a voz dela era de desespero.
- Pára! Pára!
Ele estava de olhos fechados, escutava algum barulho, mas não entendia uma só palavra. Lembrou de quando foi coroinha na igreja e do padre que lhe falava sobre o horror do inferno. De repente, sentiu-se bem e percebeu que ela havia se calado. Abriu os olhos e viu um corpo desfigurado. A cama estava tomada de sangue.
Rômulo então se limpou, e pegou a lata de querosene. Jogou o líquido nos desenhos, na caixa com DVDs pornôs, molhou tudo o que pode. Saiu da casa, colocou fogo numa peça de roupa e jogou pela janela.
Encostado no carro, numa distância segura, ele observava a casa pegando fogo e parecia aliviado. Dizem que a água purifica, mas era o fogo que estava purificando-o.
Já estava escuro quando as chamas começaram a diminuir. Que experiência maravilhosa, até que poderia repeti-la.
Ainda em êxtase entrou no carro e dormiu o melhor sono de sua vida. Assim que acordou, no dia seguinte, foi buscar material para limpar o que sobrou da casa, afinal, não poderia deixar rastro.
Com isso acabei me lembrando de uma historinha que escrevi enquanto os meninos jogavam sueca lá no sítio e eu não tinha o que fazer...
Purificação
Alto, sem quilos sobrando, Rômulo não aparentava ter 50 anos. A maioria das pessoas que o conhecia o considerava um homem bom e de bem com a vida. Ele estava sempre disposto a ajudar, nunca se queixava da vida, estava costumava ter um sorriso no rosto.
Um belo dia, Rômulo acordou, tomou seu café extra-forte e saiu de casa disposto a viver algo diferente. Estava cansado daquela vida sem grandes acontecimentos, apenas escutando e ajudando a resolver problemas alheios, quando na verdade não conseguia resolver o seu. É, Rômulo tinha um problema. Na verdade ele não tinha certeza se era realmente um problema. Seu lado moral, sua “consciência” dizia que sim, mas seu corpo... ah, seu corpo dizia que não era problema algum. Pelo contrário, deliciava-se de prazer.
Enfim, com a intenção de resolver seu caso, Rômulo saiu de casa, uma moradia confortável num bairro residencial. Pegou seu carro, e dirigiu cerca de uma hora até chegar a uma rua deserta, que parecia ter parado no tempo. Deu um sorriso amargo ao ver um casebre simples de madeira.
A mulher ao vê-lo, sorriu. Ela estava esperando ansiosamente por ele.
- Meu amor, que saudade. Pensei que havia se esquecido de mim.
- Nunca me esqueço de você, minha rainha.
O interior da casa era totalmente diferente do exterior. Objetos nada convencionais decoravam o lugar: desenhos de corpos nus, em posições pornográficas adornavam as paredes. Velas e lampiões faziam as vezes de lâmpadas. Uma grande cama ficava no centro do único cômodo.
Ao trancar a porta, ele a agarrou pelos cabelos e deu dois tapas na sua cara. Ela não reagiu. Sorriu. Ele a jogou na cama e a beijou violentamente. Ela mordeu seu lábio e o sangue brotou.
Ele a algemou na cama e pegou o chicote. Em seguida, começou a batê-la.
- Mais força – ela pedia – Mais!
Enquanto ele batia sua mente lhe dizia que aquilo estava errado, masoquismo não era certo, ele ia para o inferno.
E se desesperava, e batia com mais força.
- Para! Está machucando!
Ele não a escutava mais. Ele iria para o inferno! Aquilo estava errado, ele precisava parar com aquilo.
- Rômulo! Olha o código, pára pelo amor de Deus! Eu estou sangrando! – a voz dela era de desespero.
- Pára! Pára!
Ele estava de olhos fechados, escutava algum barulho, mas não entendia uma só palavra. Lembrou de quando foi coroinha na igreja e do padre que lhe falava sobre o horror do inferno. De repente, sentiu-se bem e percebeu que ela havia se calado. Abriu os olhos e viu um corpo desfigurado. A cama estava tomada de sangue.
Rômulo então se limpou, e pegou a lata de querosene. Jogou o líquido nos desenhos, na caixa com DVDs pornôs, molhou tudo o que pode. Saiu da casa, colocou fogo numa peça de roupa e jogou pela janela.
Encostado no carro, numa distância segura, ele observava a casa pegando fogo e parecia aliviado. Dizem que a água purifica, mas era o fogo que estava purificando-o.
Já estava escuro quando as chamas começaram a diminuir. Que experiência maravilhosa, até que poderia repeti-la.
Ainda em êxtase entrou no carro e dormiu o melhor sono de sua vida. Assim que acordou, no dia seguinte, foi buscar material para limpar o que sobrou da casa, afinal, não poderia deixar rastro.
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