terça-feira, 7 de outubro de 2008

Casamento

Estou às voltas com a palavra casamento. Mês passado duas pessoas famosas se casaram e tenho a sensação que o mundo está casando. E me pego pensando: "casar virou moda"?
A indústria do casamento fatura milhões por ano e no Brasil não param de pipocar feiras, workshops(sim, workshops) e livros sobre o tema. As revistas então são um caso a parte. Além de novas edições, as tradicionais estão com tiragem maior e com menos intervalo de tempo.
Algumas igrejas estão agendando casamento para daqui a dois anos. Fora as que cobram 3 ou 4mil Reais pela cerimônia(algumas sem a presença do padre) e que ainda assim são suuuuuper concorridas.
Será que as pessoas estão se casando por impulso ou por amor? Fui a uma cerimônia(linda por sinal) em que o padre falava sobre isso. Ele dizia que se um casal após um tempinho de união diz que o sentimento acabou é pq ele nunca existiu de verdade. Não é a toa que o número de divórcio também cresce assustadoramente.

Mais uma vez, mais um textinho. Um pouco maior do que o primeiro pq tive problemas para formatar.

Beijokas.

A DÚVIDA

E como ela poderia dizer que não? E será que ela poderia dizer alguma coisa? Tudo estava muito confuso.
Maria estava a dez dias de se casar com Miguel, mas não conseguia parar de pensar em Pablo.

- Se ao menos eu tivesse certeza... – pensava.

Pablo e Maria se conheceram numa festa de amigos em comum, mas não foram além de um papo descontraído. Ela não sabia explicar o motivo dessa atração toda, e além do mais, ele nem fazia seu tipo. Como assim ela o desejava?

- Ele vai me julgar, com certeza. Ele não tem cara de quem gosta de mulher infiel... E o Miguel?
Eu gosto muito dele, não posso terminar por isso.

O problema era que sempre que brigava com Miguel, a imagem de Pablo voltava à sua mente – se é que saía. Sentada no banco do carona do carro do noivo, Maria estava mergulhada em seus pensamentos, desligada do local e de sua companhia.

Fechava os olhos e suspirava. Lembrava do sorriso do Pablo, da conversa, e da despedida: - Se o pessoal não marcar mais nada, vamos marcar algum encontro. Gostei de te conhecer.

- Será que ele também quer? Ai meu Deus, o que eu faço?
Com uma desculpa esfarrapada, despachou Miguel para a casa dele. Não era certo deixá-lo ficar. Tomou um banho e dormiu, pensando no outro e pedindo para que isso acabasse pela manhã.

Acontece que a mente não precisa seguir a emoção, e o novo dia chegou com a vontade quase sufocante de encontrar Pablo. Decidida, ela pegou o telefone e ligou:

- Oi Julia. Me dá o telefone daquele seu colega, o Pablo. Ele não é corretor? Quem sabe ele não tem o apartamento que eu e Miguel queremos?
Pronto. Mentindo para a melhor amiga, e ainda por cima colocando o noivo no meio. Isso não poderia dar certo. Mas agora a decisão estava tomada. Precisava seguir em frente.

- Oi Pablo, aqui é Maria, nós nos conhecemos na festa da Julia, lembra? Olha, eu quero comprar um apartamento perto da praia, você pode me ajudar?

– Oi Maria, claro que lembro. Quantos quartos?

- Dois.

- Garagem?

- Aham.

- Tenho alguns aqui. Você pode vir amanhã?

- Amanhã não posso. Teria que ser hoje.

- Às três horas está bom para você?

- Três não. Quatro, pode ser. Estarei no posto 3.

- Tudo bem. Te vejo lá.

Desligou o telefone trêmula. O coração disparado parecia que ia saltar do peito. Era muito arriscado, ele estava pensando que ia vender um apartamento. E ela estava maluca, e só iria sossegar quando o encontrasse. Assim, não fez mais nada além de imaginar o que iria fazer quando o visse.

Eram três e meia quando Maria chegou à praia. Para tentar se acalmar sentou na areia e ficou observando o vai-e-vem das ondas, que fizeram o efeito contrário e a deixaram mais nervosa. Ela suava frio, as mãos pareciam feitas de gelo e o estômago doía.
- Será que ele vai ficar assustado?

Antes de completar a frase, ela o avistou. Lindo. Perfeito. Do jeito que ela havia guardado na memória.

- Pensei que estaria num quiosque, quase não te achei.

Ela levanta e olha pra ele:
- Desculpe, mas por favor, não me leve a mal. Eu tenho que fazer isso.

- Ficar olhando para o mar ou comprar um apartamento? – ele perguntou rindo.
Ela então o beijou. E ele gostou. Segundos mágicos. Ao abriu os olhos, sorriu:

- Te assustei muito?

- Nem tanto- e a beijou de novo.

Agora, como que a chamando para a realidade, a imagem de Miguel voltou à cabeça. Angustiada, despediu-se e preferiu não ligar mais. Aquilo estava errado, na semana seguinte ela estaria se casando.

Dois dias depois ele ligou:
- Maria, eu quero muito te ver.

- Não dá. Desculpa.

- Você é maluca? Me liga do nada, me beija e agora não quer mais nada?

- Pablo, eu vou casar.

- Eu vi a aliança... Quando?

- Semana que vem. Por isso pedi para você não me levar a mal, é que eu precisava ficar contigo.

- E eu sou um objeto?

- Você está exagerando... e eu só fiz isso por que vi que você não tomou iniciativa.

- Não fico com mulher comprometida.

- Foi isso que pensei.

- Mas eu quero te ver de novo. Vamos sair.

- Ai meu Deus. Passa aqui em casa então.

- Eu chego em meia hora.

E assim, eles se encontraram nos quatro dias seguintes. As horas naqueles momentos paravam, e a palavra casamento, é claro, não fazia parte da conversa.

No último dia ela se despediu:

- Eu não posso voltar atrás. Não posso deixar meu noivo. Por favor, não me leve a mal.

- Nunca. Pode ficar tranqüila. Será ruim me acostumar a ficar sem você, mas eu já sabia disso desde o início.

- Você supera. Daqui a pouco já está com outra – disse com uma piscada e um último beijo.

E se despediu. E casou com Miguel numa cerimônia linda, cercada de amigos e parentes, do jeito que havia planejado.

À caminho da lua de mel, Miguel a agarrou e a beijou com vontade. Foi então que ela percebeu:

- Eu nunca tremi com o Miguel.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Somos assassinos em potencial?

Na revista Marie Claire de setembro eu li uma entrevista com a pesquisadora e autora Ilana Casoy, que se especializou em assassinatos em série e ajudou, inclusive, no caso Nardoni e Richthofen. Na entrevista ela fala que os assassinos não são muito diferente de nós, pessoas "normais". E me pego pensando se não somos mesmo...
Com isso acabei me lembrando de uma historinha que escrevi enquanto os meninos jogavam sueca lá no sítio e eu não tinha o que fazer...


Purificação

Alto, sem quilos sobrando, Rômulo não aparentava ter 50 anos. A maioria das pessoas que o conhecia o considerava um homem bom e de bem com a vida. Ele estava sempre disposto a ajudar, nunca se queixava da vida, estava costumava ter um sorriso no rosto.
Um belo dia, Rômulo acordou, tomou seu café extra-forte e saiu de casa disposto a viver algo diferente. Estava cansado daquela vida sem grandes acontecimentos, apenas escutando e ajudando a resolver problemas alheios, quando na verdade não conseguia resolver o seu. É, Rômulo tinha um problema. Na verdade ele não tinha certeza se era realmente um problema. Seu lado moral, sua “consciência” dizia que sim, mas seu corpo... ah, seu corpo dizia que não era problema algum. Pelo contrário, deliciava-se de prazer.
Enfim, com a intenção de resolver seu caso, Rômulo saiu de casa, uma moradia confortável num bairro residencial. Pegou seu carro, e dirigiu cerca de uma hora até chegar a uma rua deserta, que parecia ter parado no tempo. Deu um sorriso amargo ao ver um casebre simples de madeira.
A mulher ao vê-lo, sorriu. Ela estava esperando ansiosamente por ele.
- Meu amor, que saudade. Pensei que havia se esquecido de mim.
- Nunca me esqueço de você, minha rainha.
O interior da casa era totalmente diferente do exterior. Objetos nada convencionais decoravam o lugar: desenhos de corpos nus, em posições pornográficas adornavam as paredes. Velas e lampiões faziam as vezes de lâmpadas. Uma grande cama ficava no centro do único cômodo.
Ao trancar a porta, ele a agarrou pelos cabelos e deu dois tapas na sua cara. Ela não reagiu. Sorriu. Ele a jogou na cama e a beijou violentamente. Ela mordeu seu lábio e o sangue brotou.
Ele a algemou na cama e pegou o chicote. Em seguida, começou a batê-la.
- Mais força – ela pedia – Mais!
Enquanto ele batia sua mente lhe dizia que aquilo estava errado, masoquismo não era certo, ele ia para o inferno.
E se desesperava, e batia com mais força.
- Para! Está machucando!
Ele não a escutava mais. Ele iria para o inferno! Aquilo estava errado, ele precisava parar com aquilo.
- Rômulo! Olha o código, pára pelo amor de Deus! Eu estou sangrando! – a voz dela era de desespero.
- Pára! Pára!
Ele estava de olhos fechados, escutava algum barulho, mas não entendia uma só palavra. Lembrou de quando foi coroinha na igreja e do padre que lhe falava sobre o horror do inferno. De repente, sentiu-se bem e percebeu que ela havia se calado. Abriu os olhos e viu um corpo desfigurado. A cama estava tomada de sangue.
Rômulo então se limpou, e pegou a lata de querosene. Jogou o líquido nos desenhos, na caixa com DVDs pornôs, molhou tudo o que pode. Saiu da casa, colocou fogo numa peça de roupa e jogou pela janela.
Encostado no carro, numa distância segura, ele observava a casa pegando fogo e parecia aliviado. Dizem que a água purifica, mas era o fogo que estava purificando-o.
Já estava escuro quando as chamas começaram a diminuir. Que experiência maravilhosa, até que poderia repeti-la.
Ainda em êxtase entrou no carro e dormiu o melhor sono de sua vida. Assim que acordou, no dia seguinte, foi buscar material para limpar o que sobrou da casa, afinal, não poderia deixar rastro.