Essa historinha acabou de nascer na cabeça. Escrevi e revisei uma vez só. Vou postar logo antes que resolva mudar tudo e ela fique no canto das histórias não terminadas...
Maria esperava ansiosamente sua vida começar. A todo o momento ela se perguntava:
- Quando é que minha vida vai realmente começar?
Enquanto esperava esse início, Maria se casou com Honório, e teve uma filha, Luiza. Quando Luiza entrou para a escola, com mais ou menos um ano e meio de idade, Maria não queria mais Honório. Afinal, ele era muito parado, e não ajudaria no “começo” de sua vida.
Ao se separar do marido, com quem ficou casada por 10 anos, Maria queria tudo diferente: casa, emprego, e um homem novo. Alugou uma casa menor, pois não teria tempo e nem dinheiro para limpá-la, e transferiu sua filha para uma escola pública.
Conseguiu um emprego como vendedora numa loja de luxo. Os problemas, que deveriam terminar, continuaram: Maria estava endividada, pois gastava a maior parte de seu salário com as roupas caríssimas que vendia. Se a vida dela não começava, pelo menos ela iria se vestir bem. Vez ou outra ia a uma loja popular para comprar roupas para a filha. Quem garantia mesmo a vestimenta de Luiz era o pai da criança. Era dever dele, e Maria estava sempre sem dinheiro.
Um dia, ao participar de um curso de vendas, Maria conheceu o gerente da filial de outro estado. Foi uma paixão súbita: acabaram na cama do hotel na primeira noite e não se desgrudaram mais. Essa só poderia ser a chance de ouro da sua vida. Ela já tinha um emprego, mas faltava dinheiro e amor. Sérgio era maravilhoso e um amante como nenhum outro. O sexo era o melhor do relacionamento e ela não poupava esforços para melhorá-lo. Valia dos provadores da loja até o estacionamento do shopping onde trabalhava. Os seguranças adoravam.
Quando Sérgio voltou para seu estado, Maria deixou a filha com o pai e foi junto. Essa era sua oportunidade de casar novamente, e ela iria agarrá-la com toda a força. O problema era que quatro anos se passaram e Sérgio ainda não queria morar com ninguém, o que deixou Maria insegura e irritada. Um dia viu uma cliente cantando o amante, brigou com a mulher e foi demitida. Sérgio a ajudou financeiramente durante um tempo, mas seu temperamento difícil fez com que ele chegasse com uma bomba surpresa: uma passagem só de ida para sua terra Natal.
Ao voltar para sua cidade, Maria correu para chorar sua desafortunada vida com uma amiga, que lhe arranjou um emprego como vendedora em outra loja de luxo. Mas de que adiantava trabalhar se nunca tinha dinheiro? Tinha roupas e sapatos de marca, mas não tinha dinheiro para buscar a filha nos finais de semana, ou comprar um presente de aniversário. Se bem que com certeza sua filha iria entender quando crescesse. Afinal, quando conseguisse tudo o que desejava, ela iria pegar Luiza de volta.
Deus, então, finalmente atendeu as suas preces: enviou um namorado bonito e bem de vida. Viúvo, sem filhos, e funcionário público federal, José Carlos era um homem perfeito. Em poucos meses estavam morando juntos. Embora tivesse conquistado o emprego e o homem, a vida ainda não estava boa para Maria, que queria mais um filho.
Depois de dois meses tentando engravidar, com onze meses dividindo o mesmo teto, pensou que a culpa talvez fosse de Carlos. Talvez ele não fosse tão bom assim, pois não conseguia lhe dar um filho. No fundo, no fundo, ele não queria que ela engravidasse, então, vibrava contra. Por isso ela não engravidou. Foi ai, então, que ela desolada por não ter filho e sucesso amoroso, conheceu Maurício.
Maurício era bonito, o que José Carlos nem de perto era. Tinha um corpo atlético, diferente do ex companheiro. Foi outro encontro explosivo: o sexo era agressivo, sujo e durava o dia todo. Bastava vê-lo, para que não se agüentasse de tesão. Quando José Carlos descobriu a traição, Maria já estava com Maurício há dois meses. Ela mesma contou, disse que não gostava de ter vida dupla, e que preferia ir embora.
No seu aniversário de 40 anos, Maria descobriu que estava grávida de Maurício. Mas neste momento a notícia não soou tão bem. Ela havia saído da loja de luxo e ido para uma simples, numa rua de um bairro no subúrbio, para ficar mais perto do marido.
Ganhava pouco e ele menos ainda. Moravam num conjugado onde o aluguel estava atrasado, e ela só não estava sem luz por que fez uma ligação clandestina. Não via a filha há quase um ano, por que o ex-marido conseguiu injustamente a guarda definitiva,
e os encontros com Luiza eram sempre estressantes. Não tinha feito nada a filha, e mesmo assim esta não gostava de ficar com ela.
Sentada na porta de sua casa, com o resultado do exame em mãos, se perguntava indignada:
- Quando é que essa droga desta vida irá começar?
E pensava em Victor, um amigo de uma amiga que acabara de conhecer. Ele talvez fosse fazer sua vida engrenar.
domingo, 10 de maio de 2009
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