quinta-feira, 18 de junho de 2009

Degradação moral

Hoje eu estava pensando nas notícias dos últimos dias, e principalmente na decisão do STF sobre o diploma no curso de jornalismo. Eu gosto de pensar em personagens comuns, com suas imperfeições para escrever minhas estórias, e usá-los com um pouco de sarcasmo. O problema é que tenho um monte de histórias não terminadas por que embora meus personagens não sejam mocinhos elegantes de contos de fadas, eu busco sempre o melhor das pessoas, procuro o lado bom, mas também dar um final feliz às vezes não parece tão justo... e a vida real também não é assim.
Enfim, hoje me peguei com um peso na consciência. Poxa, será que essa podridão não tem fim? Eu sei que seres humanos são seres humanos, e que erram, mas as coisas estão muito erradas.
Não só pelo fim da exigência do diploma(eu não peguei o meu ainda por questões burocráticas da universidade) que tanto ajuda na formação do indivíduo, mas por ver pessoas que acreditei, que torci, que rezei apoiarem pessoas que só não estão mais sujas por que o enxofre do inferno não é real.
Tenho visto uma degradação moral ridícula no Brasil. Sei que sempre existiu, mas só agora presto realmente atenção, e tenho senso para isso. Muitos falam em rasgar o diploma, mas ele me ajudou a ver as coisas por outro ângulo, a ver o que pode estar escondido.
É Brasil, estou ficando sem esperanças... o negócio já não estava muito bom, e pelo visto vai piorar...
Quanto as jornalistas, que importa? Se o cozinheiro não precisa de diploma, por que ele precisaria?

domingo, 10 de maio de 2009

Pegadas na areia

Essa historinha acabou de nascer na cabeça. Escrevi e revisei uma vez só. Vou postar logo antes que resolva mudar tudo e ela fique no canto das histórias não terminadas...


Maria esperava ansiosamente sua vida começar. A todo o momento ela se perguntava:
- Quando é que minha vida vai realmente começar?
Enquanto esperava esse início, Maria se casou com Honório, e teve uma filha, Luiza. Quando Luiza entrou para a escola, com mais ou menos um ano e meio de idade, Maria não queria mais Honório. Afinal, ele era muito parado, e não ajudaria no “começo” de sua vida.

Ao se separar do marido, com quem ficou casada por 10 anos, Maria queria tudo diferente: casa, emprego, e um homem novo. Alugou uma casa menor, pois não teria tempo e nem dinheiro para limpá-la, e transferiu sua filha para uma escola pública.

Conseguiu um emprego como vendedora numa loja de luxo. Os problemas, que deveriam terminar, continuaram: Maria estava endividada, pois gastava a maior parte de seu salário com as roupas caríssimas que vendia. Se a vida dela não começava, pelo menos ela iria se vestir bem. Vez ou outra ia a uma loja popular para comprar roupas para a filha. Quem garantia mesmo a vestimenta de Luiz era o pai da criança. Era dever dele, e Maria estava sempre sem dinheiro.

Um dia, ao participar de um curso de vendas, Maria conheceu o gerente da filial de outro estado. Foi uma paixão súbita: acabaram na cama do hotel na primeira noite e não se desgrudaram mais. Essa só poderia ser a chance de ouro da sua vida. Ela já tinha um emprego, mas faltava dinheiro e amor. Sérgio era maravilhoso e um amante como nenhum outro. O sexo era o melhor do relacionamento e ela não poupava esforços para melhorá-lo. Valia dos provadores da loja até o estacionamento do shopping onde trabalhava. Os seguranças adoravam.

Quando Sérgio voltou para seu estado, Maria deixou a filha com o pai e foi junto. Essa era sua oportunidade de casar novamente, e ela iria agarrá-la com toda a força. O problema era que quatro anos se passaram e Sérgio ainda não queria morar com ninguém, o que deixou Maria insegura e irritada. Um dia viu uma cliente cantando o amante, brigou com a mulher e foi demitida. Sérgio a ajudou financeiramente durante um tempo, mas seu temperamento difícil fez com que ele chegasse com uma bomba surpresa: uma passagem só de ida para sua terra Natal.

Ao voltar para sua cidade, Maria correu para chorar sua desafortunada vida com uma amiga, que lhe arranjou um emprego como vendedora em outra loja de luxo. Mas de que adiantava trabalhar se nunca tinha dinheiro? Tinha roupas e sapatos de marca, mas não tinha dinheiro para buscar a filha nos finais de semana, ou comprar um presente de aniversário. Se bem que com certeza sua filha iria entender quando crescesse. Afinal, quando conseguisse tudo o que desejava, ela iria pegar Luiza de volta.

Deus, então, finalmente atendeu as suas preces: enviou um namorado bonito e bem de vida. Viúvo, sem filhos, e funcionário público federal, José Carlos era um homem perfeito. Em poucos meses estavam morando juntos. Embora tivesse conquistado o emprego e o homem, a vida ainda não estava boa para Maria, que queria mais um filho.

Depois de dois meses tentando engravidar, com onze meses dividindo o mesmo teto, pensou que a culpa talvez fosse de Carlos. Talvez ele não fosse tão bom assim, pois não conseguia lhe dar um filho. No fundo, no fundo, ele não queria que ela engravidasse, então, vibrava contra. Por isso ela não engravidou. Foi ai, então, que ela desolada por não ter filho e sucesso amoroso, conheceu Maurício.

Maurício era bonito, o que José Carlos nem de perto era. Tinha um corpo atlético, diferente do ex companheiro. Foi outro encontro explosivo: o sexo era agressivo, sujo e durava o dia todo. Bastava vê-lo, para que não se agüentasse de tesão. Quando José Carlos descobriu a traição, Maria já estava com Maurício há dois meses. Ela mesma contou, disse que não gostava de ter vida dupla, e que preferia ir embora.

No seu aniversário de 40 anos, Maria descobriu que estava grávida de Maurício. Mas neste momento a notícia não soou tão bem. Ela havia saído da loja de luxo e ido para uma simples, numa rua de um bairro no subúrbio, para ficar mais perto do marido.

Ganhava pouco e ele menos ainda. Moravam num conjugado onde o aluguel estava atrasado, e ela só não estava sem luz por que fez uma ligação clandestina. Não via a filha há quase um ano, por que o ex-marido conseguiu injustamente a guarda definitiva,
e os encontros com Luiza eram sempre estressantes. Não tinha feito nada a filha, e mesmo assim esta não gostava de ficar com ela.

Sentada na porta de sua casa, com o resultado do exame em mãos, se perguntava indignada:
- Quando é que essa droga desta vida irá começar?

E pensava em Victor, um amigo de uma amiga que acabara de conhecer. Ele talvez fosse fazer sua vida engrenar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Eu voltei!!!!

Acabei de assistir ao filme “Bernard e Doris” que conta a relação entre uma famosa bilionária norte-americana(Doris Duke) e seu mordomo(Bernard Lafferty). A história é velha conhecida: ela cria um vínculo com o mordomo e quando morre o deixa bilionário – ele é seu único herdeiro.

Gostei da história e resolvi fazer uma busca no Google. Não foi minha surpresa e aquele romance de “amigos para sempre” caiu em desgraça(estou dramática hoje). Enfim, nas linhas descobri que algumas pessoas próximas realmente achavam que Bernard, o mordomo, exercia uma espécie de poder sobre a patroa, que o seguia cegamente, algo como “lavagem cerebral”. Ele a afastou dos conhecidos, alegando inclusive que alguns estariam tramando um complô contra ela.

Na verdade nós, mortais, que não tivemos o privilégio de conviver com eles, nunca saberemos o que realmente aconteceu. Eu prefiro acreditar no melhor das pessoas e na visão linda e clássica do mordomo que realmente amou a patroa(amar no sentido mais puro, pois ele era gay).

E observando as relações vejo que na vida real acontece a mesma coisa: aquela pessoa que vive ao seu lado há anos pode te surpreender. Não dá para ter 100% de certeza se alguém está com você por que gosta mesmo de você, ou se por que de alguma forma é legal estar do seu lado.

Isso pode parecer frustrante, mas ao mesmo tempo não é. Vamos lá: dois velhinhos estão juntos desde 1920 por que o que os une neste momento é o medo da solidão. O amor acabou há tempos, a paixão nem se fala. Ele fica com ela para ter alguém que o trate com carinho(ou paciência). Ela fica com ele para não perder a estabilidade financeira. Os dois se divertiram na juventude e na fase adulta, inclusive pulando a cerca. Se voltassem no tempo provavelmente teriam se separado ou não teriam ficado juntos, pois fariam escolhas diferentes. Infelizes? Não. Conformados e confiantes. Será? É o que parece...

Se as relações são verdadeiras ou não é difícil dizer, e às vezes nem o tempo se encarrega disso. Por isso o bom é deixar viver e se cercar daqueles que são parecidos ou tem algo em comum... se você for víbora... tenha certeza que cedo ou tarde levará uma picada. Semelhante atrai semelhante, confiança chama confiança e por ai vai. Só não dá pra desanimar.

É isso. Hoje, na volta dos que não foram, não tem historinha. Se bem que a última vem bem a calhar. Você, meu único leitor, não me deixe. Prometo que cheguei para ficar, afinal, nossa relação é verdadeira(será, leitor?).
Beijinhos!