Na revista Marie Claire de setembro eu li uma entrevista com a pesquisadora e autora Ilana Casoy, que se especializou em assassinatos em série e ajudou, inclusive, no caso Nardoni e Richthofen. Na entrevista ela fala que os assassinos não são muito diferente de nós, pessoas "normais". E me pego pensando se não somos mesmo...
Com isso acabei me lembrando de uma historinha que escrevi enquanto os meninos jogavam sueca lá no sítio e eu não tinha o que fazer...
Purificação
Alto, sem quilos sobrando, Rômulo não aparentava ter 50 anos. A maioria das pessoas que o conhecia o considerava um homem bom e de bem com a vida. Ele estava sempre disposto a ajudar, nunca se queixava da vida, estava costumava ter um sorriso no rosto.
Um belo dia, Rômulo acordou, tomou seu café extra-forte e saiu de casa disposto a viver algo diferente. Estava cansado daquela vida sem grandes acontecimentos, apenas escutando e ajudando a resolver problemas alheios, quando na verdade não conseguia resolver o seu. É, Rômulo tinha um problema. Na verdade ele não tinha certeza se era realmente um problema. Seu lado moral, sua “consciência” dizia que sim, mas seu corpo... ah, seu corpo dizia que não era problema algum. Pelo contrário, deliciava-se de prazer.
Enfim, com a intenção de resolver seu caso, Rômulo saiu de casa, uma moradia confortável num bairro residencial. Pegou seu carro, e dirigiu cerca de uma hora até chegar a uma rua deserta, que parecia ter parado no tempo. Deu um sorriso amargo ao ver um casebre simples de madeira.
A mulher ao vê-lo, sorriu. Ela estava esperando ansiosamente por ele.
- Meu amor, que saudade. Pensei que havia se esquecido de mim.
- Nunca me esqueço de você, minha rainha.
O interior da casa era totalmente diferente do exterior. Objetos nada convencionais decoravam o lugar: desenhos de corpos nus, em posições pornográficas adornavam as paredes. Velas e lampiões faziam as vezes de lâmpadas. Uma grande cama ficava no centro do único cômodo.
Ao trancar a porta, ele a agarrou pelos cabelos e deu dois tapas na sua cara. Ela não reagiu. Sorriu. Ele a jogou na cama e a beijou violentamente. Ela mordeu seu lábio e o sangue brotou.
Ele a algemou na cama e pegou o chicote. Em seguida, começou a batê-la.
- Mais força – ela pedia – Mais!
Enquanto ele batia sua mente lhe dizia que aquilo estava errado, masoquismo não era certo, ele ia para o inferno.
E se desesperava, e batia com mais força.
- Para! Está machucando!
Ele não a escutava mais. Ele iria para o inferno! Aquilo estava errado, ele precisava parar com aquilo.
- Rômulo! Olha o código, pára pelo amor de Deus! Eu estou sangrando! – a voz dela era de desespero.
- Pára! Pára!
Ele estava de olhos fechados, escutava algum barulho, mas não entendia uma só palavra. Lembrou de quando foi coroinha na igreja e do padre que lhe falava sobre o horror do inferno. De repente, sentiu-se bem e percebeu que ela havia se calado. Abriu os olhos e viu um corpo desfigurado. A cama estava tomada de sangue.
Rômulo então se limpou, e pegou a lata de querosene. Jogou o líquido nos desenhos, na caixa com DVDs pornôs, molhou tudo o que pode. Saiu da casa, colocou fogo numa peça de roupa e jogou pela janela.
Encostado no carro, numa distância segura, ele observava a casa pegando fogo e parecia aliviado. Dizem que a água purifica, mas era o fogo que estava purificando-o.
Já estava escuro quando as chamas começaram a diminuir. Que experiência maravilhosa, até que poderia repeti-la.
Ainda em êxtase entrou no carro e dormiu o melhor sono de sua vida. Assim que acordou, no dia seguinte, foi buscar material para limpar o que sobrou da casa, afinal, não poderia deixar rastro.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
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